Relatório do Energy Summit foi debatido em evento do comitê de Energia da Britcham e aponta data centers, geopolítica e biogás como eixos centrais da transição
Rio de Janeiro, fevereiro de 2026 – “Energia é a variável crítica do crescimento global e quem não estiver no jogo ficará para trás”. A afirmação de Hudson Mendonça, CEO e fundador do Energy Summit, abriu o debate sobre megatendências do setor durante encontro promovido pelo comitê de Energia da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham). O evento reuniu executivos, investidores e representantes do governo para discutir os impactos estruturais da transformação energética no Brasil e no mundo.
Ao apresentar os principais pontos do relatório “Energy Megatrends 2025”, Mendonça destacou que a expansão de data centers e da inteligência artificial deve pressionar a demanda por eletricidade em escala inédita. Segundo o estudo, o consumo global de energia por data centers pode alcançar 955 terawatts-hora, o equivalente a cerca de 3% da demanda mundial, patamar que pode avançar rapidamente diante do crescimento exponencial de aplicações de IA.
“Não é prédio, não é capital. A restrição é energia”, afirmou. Para ele, a infraestrutura elétrica, que leva de quatro a dez anos para ser ampliada, pode se tornar o principal gargalo ao avanço da economia digital. Nesse cenário, governos e grandes corporações assumem papel central na regulação e no financiamento de projetos de geração e transmissão.
A discussão ocorreu em um momento simbólico para a Britcham, que completa 110 anos de atuação na relação comercial entre Brasil e Reino Unido, como lembrou o presidente da entidade, Fabio Caldas. Ele ressaltou que o fluxo bilateral de investimentos e comércio segue em expansão, especialmente em setores estratégicos como energia e infraestrutura.
“O crescimento consistente da balança comercial entre os dois países possui grande influência do setor de Energia, com foco em frentes que conectam com o objetivo da execução de uma transição energética consciente e baseada em inovação e serviços que têm maior valor agregado”, disse Fabio Caldas.
O relatório apresentado por Mendonça elenca dez megatendências do mercado. Entre elas estão resiliência cibernética do setor elétrico, biogás e biometano, deeptechs na transição energética, usinas virtuais de energia (VPPs), novas tecnologias de baterias, descarbonização do transporte marítimo, desenvolvimento submarino avançado e a crescente influência da geopolítica nas decisões de investimento.
No caso da resiliência energética, o diagnóstico apresentado no relatório aponta que o setor elétrico é hoje o que mais sofre ataques cibernéticos no mundo. A digitalização da rede amplia a eficiência, mas também a exposição a riscos. A integração entre criptografia avançada, simulações digitais e novos padrões de segurança passa a ser tratada como prioridade estratégica.
Outra frente destacada é o biogás e o biometano. O Brasil, com forte base agroindustrial, teria potencial para substituir até 25% do consumo de gás natural por fontes renováveis derivadas de resíduos. “Podemos transformar passivo ambiental em ativo energético”, afirmou Mendonça, ao defender que o país pode criar um “pré-sal caipira” a partir da biomassa.
As usinas virtuais de energia também ganham espaço no debate. O modelo conecta geração distribuída e sistemas de armazenamento para funcionar como uma única planta, oferecendo flexibilidade ao sistema elétrico. Experiências internacionais mostram que a agregação de pequenas fontes pode reduzir custos e aumentar a confiabilidade da rede, tema que começa a avançar na regulação brasileira.
No campo tecnológico, o documento sinaliza a importância das alternativas ao lítio, como baterias de sódio e soluções em estado sólido. A busca por novos materiais é vista como estratégica não apenas do ponto de vista ambiental, mas também geopolítico, diante da concentração de minerais críticos em poucos países.
Segundo Hudson Mendonça, decisões energéticas deixaram de ser apenas econômicas. “Toda decisão estruturante em energia tem componente geopolítico e econômico. Antes, a geopolítica era subordinada ao negócio. Hoje, muitas vezes, ela vem primeiro”, pontuou. Tensões comerciais, disputa por minerais críticos e reorganização de cadeias produtivas influenciam diretamente o fluxo global de investimentos.
Nesse contexto, o executivo avalia que o Brasil pode assumir papel estratégico. Com matriz elétrica majoritariamente renovável e posição diplomática tradicionalmente equilibrada entre grandes potências, o país teria condições de atuar como “fiel da balança” em um ambiente internacional fragmentado.
O próprio Energy Summit, que será realizado entre 23 e 25 de julho, no Rio de Janeiro, busca refletir essa integração. O evento deve reunir cerca de 12 mil participantes, mais de 300 palestrantes e representantes de 13 países, com foco na convergência entre inovação, empreendedorismo e sustentabilidade. As atividades promovidas pela Britcham estão disponíveis no calendário da instituição.
Sobre a Britcham
Há mais de 100 anos no Brasil, a Britcham atua como principal promotora das relações econômicas e comerciais entre Brasil e Reino Unido, fomentando o diálogo bilateral por meio de iniciativas estratégicas. Presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais e Paraná, a instituição mantém conexões diretas com entidades governamentais e privadas, organizando missões comerciais nacionais e internacionais, rodadas de negócios e projetos especiais para integração econômica.
Com 13 comitês temáticos que abrangem os principais setores da economia, como comércio exterior, agronegócios, finanças, tecnologia e sustentabilidade, a Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil facilita discussões setoriais, advocacy e a troca de conhecimento entre associados, executivos e autoridades. Além disso, a Britcham oferece uma agenda diversificada de eventos exclusivos, desde oportunidades de networking até debates sobre tendências globais, fortalecendo conexões qualificadas entre os dois mercados. Destaque ainda para o Clube de Negócios Britânicos no Brasil (GBBC) e o Grupo de Suporte aos Negócios, plataformas essenciais para impulsionar parcerias e investimentos bilaterais. Com uma rede que inclui desde multinacionais até PMEs, a Britcham proporciona agregação de valor institucional e comercial por meio de grupos setoriais, posicionamentos técnicos e acesso a informações privilegiadas, consolidando-se como referência em cooperação empresarial e inovação entre Brasil e Reino Unido.