Em evento da Britcham, governo britânico apresenta projeto e advogada aponta caminhos para empresas brasileiras se instalarem no Reino Unido
São Paulo, 20 de outubro de 2026 – O governo do Reino Unido atualizou sua estrutura de apoio ao comércio exterior com o objetivo de tornar a atuação no Brasil mais personalizada e ágil. O novo Departamento de Negócios, Inovação, Ciência e Comércio (BIST, na sigla em inglês) reúne em um só órgão as ferramentas de incentivo à produtividade, à inovação e ao comércio internacional, e organiza o trabalho no país em dez campanhas temáticas, definidas a partir de oportunidades comerciais concretas para empresas britânicas e brasileiras.
O modelo foi apresentado em São Paulo pelo diretor executivo de Negócios e Comércio do Governo Britânico no Brasil, Luke Durigan. O encontro presencial, promovido pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), teve como anfitrião e moderador o presidente da instituição, Carlos Levy, e reuniu empresários interessados nas novidades da política comercial britânica.
Segundo Durigan, o BIST amplia o trabalho conduzido anteriormente e passa a cobrir todo o ciclo comercial, da exportação ao acesso a mercados e à atração de investimentos. “Nosso trabalho deixa de se organizar por setores e passa a ser focado no que chamamos de campanhas”, afirmou. As frentes abrangem energia limpa, manufatura avançada, educação, serviços financeiros, ciências da vida, setor marítimo, mineração, ferrovias e transportes, água, e agricultura e alimentos.
A atuação mais direcionada vale também para o acesso a mercados, com foco em barreiras concretas, como regras para eólica offshore, a expansão de fintechs e o acesso a tecnologias de saúde. “Não estamos abrindo mercados por abrir. Atuamos onde vemos uma oportunidade real de exportação”, disse. O BIST também dá ênfase ao investimento estrangeiro direto, em especial em serviços financeiros, manufatura avançada e tecnologias digitais, e prevê ampliar a parceria com a Britcham, para que as campanhas dialoguem com os comitês da entidade.
Na visão empresarial, a sócia do escritório Gunnercooke, Vitoria Nabas, defendeu que o porte não deve ser um obstáculo. “O tamanho de uma empresa não diz o que ela pode ou não fazer. O planejamento pode ser mais longo, porque o dinheiro é mais curto, mas isso não impede a internacionalização”, afirmou. Ela citou como atrativos o acesso a mercados, o ambiente de negócios “sem burocracia, direto e rápido”, o reconhecimento da marca britânica, o talento internacional e a diversidade de oportunidades.
A advogada alertou para a escassez de mão de obra no país e sugeriu levar profissionais do Brasil, por meio de vistos como Expansion Worker, Skilled Worker, Innovator Founder e Global Talent. Segundo ela, os brasileiros competem hoje em
igualdade com candidatos de outras nacionalidades, e há espaço em praticamente todos os setores, de tecnologia a óleo e gás, saúde e bens de consumo, em que a “marca Brasil” é bem aceita. Para ela, o primeiro passo é um plano de negócios sólido, construído com apoio da Britcham e do consulado antes de qualquer operação.
Sobre a Britcham
Há 110 anos no Brasil, a Britcham atua como principal promotora das relações econômicas e comerciais entre Brasil e Reino Unido, fomentando o diálogo bilateral por meio de iniciativas estratégicas. Presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, a instituição mantém conexões diretas com entidades governamentais e privadas, organizando missões comerciais nacionais e internacionais, rodadas de negócios e projetos especiais para integração econômica.
Com 13 comitês temáticos que abrangem os principais setores da economia, como comércio exterior, agronegócios, finanças, tecnologia e sustentabilidade, a Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil facilita discussões setoriais, advocacy e a troca de conhecimento entre associados, executivos e autoridades. Além disso, a Britcham oferece uma agenda diversificada de eventos exclusivos, desde oportunidades de networking até debates sobre tendências globais, fortalecendo conexões qualificadas entre os dois mercados. Destaque ainda para o Clube de Negócios Britânicos no Brasil (GBBC) e o Grupo de Suporte aos Negócios, plataformas essenciais para impulsionar parcerias e investimentos bilaterais. Com uma rede que inclui desde multinacionais até PMEs, a Britcham proporciona agregação de valor institucional e comercial por meio de grupos setoriais, posicionamentos técnicos e acesso a informações privilegiadas, consolidando-se como referência em cooperação empresarial e inovação entre Brasil e Reino Unido.