Instituições financeiras definem a sustentabilidade como um dos pilares do setor

BNDES e Santander participaram de webinar da Câmara Britânica que faz parte da preparação para a COP26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas

As instituições financeiras adotam cada vez mais ações voltadas para a sustentabilidade e constatam que seus clientes têm preocupação crescente com o tema. A avaliação foi feita em webinar realizado, nesta quarta-feira (20/9), pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), em plataformas digitais. Organizado pelo Comitê de Meio Ambiente & Sustentabilidade da Britcham, o webinar fez parte da série de discussões acerca da COP26 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UN Climate Change Conference na sigla em inglês), que acontecerá em novembro, em Glasgow, na Escócia.

Empenho dos bancos e clientes

Durante a fala expositiva, a head de Sustentabilidade do Banco Santander, Carolina Learth, destacou o empenho de empresas, cidades, governos, pessoas e instituições em relação ao “Race to Zero”, campanha global da ONU para reunir parceiros em prol de uma economia neutra em carbono até 2050. Ela lembrou, também, o crescente papel dos clientes de bancos e seu interesse no tema, incluindo empresas de pequeno e médio porte que fazem parte de cadeias produtivas de companhias maiores. “O mundo está se preparando para se proteger, as nações estão fazendo seus investimentos para menor emissão de carbono. Do ponto de vista econômico, estão se preocupando”.

Learth explicou que o risco climático está dentro das regulamentações financeiras e, mesmo sem um marco regulatório governamental, o assunto tem evoluído bastante. “Muitas de nossas operações têm foco social e ambiental. Já temos dado sinais ao mercado que estamos fazendo isso. É provável que façamos restrições para quem não tiver rastreabilidade em seus negócios. E estamos sensíveis a quem está em acordo com essas exigências. Hoje o que vemos são empresas investindo em tecnologias e focadas em redução de carbono, em economia mais sustentável”, disse.

Ela destacou, ainda, que os bancos têm passado por um grande processo de revisão e que o setor financeiro está se preparando para contribuir cada vez mais com questões favoráveis a uma economia verde, neutra em carbono. “Vamos contribuir com essa mobilização de políticas públicas para essas mudanças. A palavra é transição”, afirmou.

Linhas de crédito em prol da sustentabilidade

De acordo com o chefe do Departamento de Meio Ambiente e Gestão do Fundo Amazônia do BNDES, Nabil Kadri, do ponto de vista de um banco de desenvolvimento, que tem como propósito acelerar as políticas públicas de melhorias, é preciso olhar todas as ações e levar em consideração a mobilização de recursos, nos novos modelos de negócio e de atuação, que consigam apoiar a sociedade e o setor produtivo para essa transformação. “Quando se fala de uma transição para uma economia neutra quanto ao uso de carbono é preciso olhar para a inovação, porque terão setores com diminuição de sua participação e, do ponto de vista social, temos que estar atentos a como vamos alocar essa mão de obra que hoje trabalha nesses setores”, pontuou.

Ele salientou que as cúpulas de líderes apontam para a neutralidade de emissão de carbono até 2050 e que o Brasil faz parte dessa agenda, em que o país confirma a redução de suas emissões em 43% e a eliminação do desmatamento ilegal, ambos até 2030. “As instituições financeiras, no suporte das ações de desenvolvimento, já estão alinhadas a uma série de medidas para recuperação econômica – pós-pandemia -, o ‘Green Recovery’, que traz à tona modelo socioeconômico sustentável”, disse. “É a importância da recuperação da economia após todo o colapso da pandemia do Coronavírus, porém, de uma forma mais sustentável”, acrescentou.

Nabil Kadri ressaltou, ainda, a importância dessas instituições na criação de produtos financeiros para empresas que se adequem nesse modelo de sustentabilidade. “Podemos falar de carência maior nos empréstimos, taxas de juros mais baixas, parcerias, viabilizando empréstimos para empresas que têm essa preocupação com a sustentabilidade. Temos atuado para coordenar os pilares dentro da agenda climática”, revelou.

Segundo o chefe do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, todas essas ações devem resultar na melhora do dia a dia das pessoas, já que uma “agenda de clima é uma agenda de bem-estar, de qualidade de vida, para hoje e outras gerações”. Kadri destacou que é fundamental levar essa mensagem de zero emissão de carbono, necessidade do fim do desmatamento ilegal, entre outras ações ambientais, a todos. “É uma agenda de continuidade e legado melhor a todos”, frisou.

Participaram do evento online desta quarta-feira, além de Carolina Learth e Nabil Kadri: Carolina Ures, presidente da Britcham São Paulo, Bianca Antacli e Guilherme Leal, presidente e vice-presidente do Comitê de Meio Ambiente & Sustentabilidade da Câmara Britânica, respectivamente.