Por Guilherme Leal*
A COP26 trouxe boas surpresas até para os mais céticos. E é claro que nós, brasileiros, esperamos que as promessas sejam verdadeiramente colocadas em prática nos próximos anos, já que o não cumprimento – nosso e de outros países – irá trazer sérias consequências para nossas vidas. Antes de apontar os acordos, algo que gostaria de destacar é a participação do setor privado nas discussões, o que mostra um maior engajamento capaz de promover as importantes e necessárias mudanças de postura. É um processo, em que empresas, governos e sociedade civil devem estar juntos.
Temos que reduzir pela metade a emissão de gases de efeito estufa. A meta brasileira definida na Conferência em Glasgow é que chegamos a isso em 2030, para 20 anos depois zerarmos nossas emissões de carbono na atmosfera. Outro comprometimento relevante dos países é a Declaração de Florestas – que sinaliza apoio do comércio agrícola livre de desmatamento – e o Compromisso Global de Financiamento de Florestas, que o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, sempre destacava que era preciso mais que os 100 bilhões de dólares (prometidos em 2009 pelos países ricos e cuja arrecadação deve ser concluída em 2023).
Metas
A COP26 foi uma das últimas tentativas de se limitar o aquecimento global a 1,5ºC. O acordo foi assinado no último sábado e cabe agora a todos cuidarem para que não ultrapassemos esse número. Para isso, é preciso uma série de mecanismos e ações, como manter os combustíveis fósseis no solo – como petróleo, gás e carvão -, reduzir as emissões de metano, ampliarmos a produção de energias renováveis, as chamadas energias limpas, e iniciando toda a descarbonização. Necessário, ainda, plantar mais árvores – algo que vemos cada vez menos nas grandes cidades – e remover os gases de efeito estufa.
Da forma como estamos lidando com o meio ambiente, não vamos conseguir limitar o aquecimento global a 1,5ºC até 2100, conforme estudo de pesquisadores do Climate Action Target divulgado durante a COP26. Para termos ideia da dimensão do problema, se não conseguirmos essa redução e atingirmos um aumento de 2ºC, em torno de 37% da população mundial estaria exposta a fortes ondas de calor pelo menos uma vez a cada cinco anos.
Não é fácil, mas longe de ser impossível. Na Câmara Britânica, sempre pautada neste consenso científico, apoiamos a adoção de medidas céleres de mitigação e adaptação e esperamos que todos reconheçam o atual quadro de emergência climática, e comecem a traçar suas decisões a partir desta realidade.
*Guilherme Leal é vice-presidente do Comitê de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Britcham