Perspectivas para a mineração no Brasil

Especialistas discutem a regulação no setor e apontam oportunidades para crescimento econômico, com desenvolvimento social e ambiental

Em uma grande oportunidade de discussão sobre o desenvolvimento do setor de mineração no Brasil e com a presença de audiência internacional interessada no tema, o Comitê de Mineração da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham) realizou, na última semana, o webinar “Perspectivas de investimentos no setor de mineração brasileiro”, com a participação de importantes nomes dessa cadeia de atuação.

Antes de apresentar as perspectivas da mineração nacional, o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Pedro Paulo Dias Mesquita, destacou o potencial do Brasil no setor de energia, como o fato do País ser o 7º maior produtor e exportador de combustível do mundo e o 2º maior produtor e consumidor de biocombustíveis. “São números que mostram o potencial do Brasil e toda nossa capacidade nos setores de energia e mineração, setor em que somos o 2º maior produtor global de minério de ferro”, frisou. Pedro Dias revelou que existem políticas regulatórias de mineração em curso, destacando a força e presença da Agência Nacional de Mineração, especialmente na forma transparente com que tem conduzido as ações e os processos de novas concessões, feitos por meio de digitalização, reforçando a lisura em toda a cadeia regulatória do setor.

Todos esses mecanismos são importantes, principalmente quando existe a previsão de investimento no setor de mineração entre os anos de 2021 e 2025, na ordem dos US$ 41 bilhões. Com isso, temas como sustentabilidade e segurança, além de melhorias nas regras de inspeções e segurança sobre danos, são fundamentais. “Temos a certeza de que com essas políticas e essas cadeias de toda a produção, nós certamente temos mais condições de alcançar melhores resultados, com toda a previsibilidade, mais dinamismo, acertos e sustentabilidade em todo o setor”, salientou o secretário do MME.

Atuação de empresas

Mike Hodgson, CEO da Serabi Gold, empresa com atuação mineral no estado do Pará, destacou que a exploração realizada pela companhia poderia ser facilitada com maior investimento em infraestrutura, pavimentação de rodovias e outras melhorias nos acessos. Hodgson esclareceu que a Serabi Gold tem suas atividades (minas) na região do Tapajós (PA) a 15 anos. “Isso mostra todo nosso comprometimento com investidores e com essa parte do Brasil. Geramos emprego e renda diretamente para mais de 600 pessoas e, mesmo com uma produção pequena, é muito significante para as pessoas daquela região, uma parte do Brasil com pouco desenvolvimento e pouco explorada, mas é uma grande área para se fazer negócios”, afirmou.

O CEO pontuou, ainda, que existe pouca competitividade no local, mesmo se tratando de uma área que produziu, nos últimos 40 anos, mais de 30 milhões de onças de ouro, de forma artesanal. “É uma região do Brasil com um grande potencial de exploração do ponto de vista social e sustentável”, disse.

Sustentabilidade

O chefe de políticas internacionais e relações governamentais com o Reino Unido da Anglo American, Jonathan Dunn, destacou a importância em trabalhar em parceria para o fomento da cadeia de mineração. Para ele, temas como sustentabilidade e segurança em todas as questões, além das práticas ambientais, sociais e de governança (ESG), devem estar na ponta dos negócios. “Reconhecemos a importância da mineração para o progresso, mas também sabemos que temos que evoluir nas práticas da mineração para garantir benefícios para toda a sociedade”, ressaltou.

O CEO da Serabi Gold, por sua vez, destacou que a empresa tem o interesse em contribuir com as discussões para a produção de energia limpa nos locais de pior acesso na região norte do Brasil, especialmente na transmissão dessa energia, já que a região é rica o suficiente para a geração.

Fonte: Assessoria de Imprensa – Britcham