Em webinar da Britcham, especialistas destacam momento de transição, aumento de exigências e necessidade de adaptação das empresas para acessar novas fontes de financiamento
São Paulo, 19 de março de 2026 – As recentes mudanças regulatórias no mercado brasileiro têm ampliado a pressão por transparência, revisão de práticas e maior definição de responsabilidades, levando empresas a buscar alternativas mais estruturadas de financiamento, como o mercado de capitais. A avaliação foi feita durante webinar promovido pelo Comitê de Riscos & Seguros da Britcham nesta quinta-feira (19).
O encontro reuniu a presidente do Comitê, Márcia Cicarelli, e o vice-presidente, Paulo Mantovani, com moderação de Nicholas Burridge, presidente da Britcham no Rio de Janeiro, que ressaltou a relevância do tema diante do atual cenário de transformações.
Segundo Márcia, o mercado vive um momento marcado por incertezas e intensos debates. “Estamos em um momento de discussão. Não temos certezas, mas muitas controvérsias e pontos relevantes para compartilhar”, afirmou. A entrada em vigor da nova legislação, de acordo com ela, trouxe mudanças significativas, exigindo revisão de contratos, adaptação de sistemas e reavaliação de práticas por parte de seguradoras e demais agentes.
Esse novo ambiente, na avaliação da executiva, eleva o nível de exigência sobre as empresas, especialmente em relação à organização e à qualidade das informações. Esses fatores passam a influenciar diretamente a capacidade de acesso a financiamento, o que reforça o papel do mercado de capitais como alternativa dentro desse cenário mais rigoroso.
Para Paulo Mantovani, o setor ainda atravessa uma fase inicial de adaptação. “É um momento de aprendizado. O mercado está absorvendo as mudanças e se ajustando a essa nova realidade”, disse. A tendência, segundo ele, é que os impactos das novas regras se tornem mais claros à medida que sua aplicação avance na prática.
As alterações introduzidas pela nova legislação foram classificadas como disruptivas pelos especialistas, com efeitos diretos sobre a forma como contratos são estruturados e riscos são avaliados. Entre os pontos mais sensíveis estão a ampliação de responsabilidades, mudanças nos prazos e nas consequências relacionadas à regulação de sinistros, além da exigência de maior clareza nas informações prestadas.
“A lei traz mais transparência, mais clareza e procedimentos que antes não estavam definidos”, afirmou Márcia. Esse movimento, segundo ela, tende a impactar diretamente a forma como as empresas se estruturam para acessar capital.
Mantovani destacou que a definição mais clara de responsabilidades entre as partes é um dos avanços do novo cenário. “Isso traz mais segurança tanto para quem contrata quanto para quem oferece soluções, e influencia a forma como os riscos são colocados”, afirmou.
O debate também apontou que os maiores desafios estão concentrados em operações mais complexas, especialmente aquelas envolvendo grandes riscos e resseguro. Nesses casos, ainda há incertezas relevantes e expectativa em relação à evolução das regulamentações e à forma como o mercado irá interpretar e aplicar as novas regras.
Apesar das incertezas, a avaliação dos participantes é de que o cenário abre espaço para evolução. “É uma nova fase. O mercado está se adaptando e ainda teremos muitas discussões pela frente”, disse Mantovani.
Márcia ressaltou que o momento é de transição e construção, com expectativa de aprimoramento das práticas do setor. “A ideia é que o mercado se organize para oferecer um serviço melhor, com mais clareza e eficiência”, concluiu.
As atividades promovidas pela Britcham estão disponíveis no calendário da instituição.
Sobre a Britcham
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Com 13 comitês temáticos que abrangem os principais setores da economia, como comércio exterior, agronegócios, finanças, tecnologia e sustentabilidade, a Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil facilita discussões setoriais, advocacy e a troca de conhecimento entre associados, executivos e autoridades. Além disso, a Britcham oferece uma agenda diversificada de eventos exclusivos, desde oportunidades de networking até debates sobre tendências globais, fortalecendo conexões qualificadas entre os dois mercados. Destaque ainda para o Clube de Negócios Britânicos no Brasil (GBBC) e o Grupo de Suporte aos Negócios, plataformas essenciais para impulsionar parcerias e investimentos bilaterais. Com uma rede que inclui desde multinacionais até PMEs, a Britcham proporciona agregação de valor institucional e comercial por meio de grupos setoriais, posicionamentos técnicos e acesso a informações privilegiadas, consolidando-se como referência em cooperação empresarial e inovação entre Brasil e Reino Unido.