Shell e bp mostram como a inteligência artificial está remodelando a gestão de energia no Brasil
São Paulo, 20 de maio de 2026 – A inteligência artificial vem ganhando espaço estratégico no setor de energia ao impulsionar ganhos de eficiência, ampliar a segurança operacional e fortalecer processos de governança. Mais do que uma tendência tecnológica, a IA começa a transformar operações críticas em empresas globais que atuam no Brasil, especialmente em áreas ligadas à análise de dados, automação e monitoramento em tempo real.
O tema foi debatido durante encontro promovido pelo comitê de Energia da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), realizado no escritório TozziniFreire Advogados, em São Paulo. O evento reuniu Rodrigo Ribeiro, gerente executivo de Information Digital Technology da Shell Brasil, e Paulo Macedo, diretor de Tecnologia da Informação e Digital da bp Bioenergy.
Os representantes de ambas as empresas convergiram em um ponto central: a inteligência artificial não substitui o fator humano, mas amplia a capacidade de análise, tomada de decisão e controle em operações cada vez mais complexas.
Na Shell Brasil, a IA é aplicada principalmente em projetos de eficiência operacional e análise documental. Um dos casos apresentados envolve uma ferramenta capaz de interpretar milhares de documentos não estruturados utilizados em operações de joint venture, permitindo acelerar buscas por preços médios, contratos e informações técnicas antes dispersas em diferentes formatos.
Segundo Rodrigo Ribeiro, a experiência mostrou que inteligência artificial exige supervisão humana, padronização de dados e forte governança para gerar resultados efetivos.
“Você precisa entender qual problema quer resolver e onde quer chegar. A inteligência artificial não substitui a necessidade de contexto, governança e direcionamento humano. O AI continua sendo um programa. Ele tem velocidade e capacidade analítica muito maiores, mas precisa ser educado, supervisionado e alimentado com dados estruturados para entregar resultados confiáveis”, afirmou.
A empresa também apresentou iniciativas voltadas à auditoria automatizada de contratos e faturas, com foco em redução de perdas financeiras, maior controle interno e agilidade operacional. Para Ribeiro, um dos principais desafios atuais está na qualidade dos dados e na definição clara de governança dentro das organizações.
“A governança precisa definir quais dados são críticos, quem pode tomar determinadas decisões e como evitar vulnerabilidades criadas dentro da operação. Muitas vezes o risco não nasce de má intenção, mas de soluções paralelas criadas para resolver problemas urgentes sem alinhamento adequado”, destacou.
Na bp Bioenergy, a inteligência artificial aparece associada principalmente à segurança operacional e ao monitoramento em larga escala das operações agrícolas e industriais. A companhia opera 11 unidades em cinco estados brasileiros e administra cerca de 450 mil hectares ligados à produção de açúcar, etanol e energia elétrica.
Paulo Macedo apresentou projetos de visão computacional utilizados para detectar incêndios em canaviais e monitorar sinais de fadiga em motoristas da frota da empresa. No caso dos incêndios, câmeras equipadas com IA monitoram aproximadamente 390 mil hectares e conseguem identificar fumaça automaticamente em um raio de até 12 quilômetros.
Segundo o executivo, cerca de 97% das detecções já são realizadas pelo próprio sistema automatizado.
“O principal objetivo é proteger as pessoas e aumentar a capacidade de resposta operacional. Em um incêndio em canavial, a situação muda muito rápido e a tecnologia permite antecipar decisões, deslocar equipes com mais segurança e reduzir impactos na operação”, afirmou.
Outro projeto utiliza telemetria e câmeras inteligentes em aproximadamente 1.500 veículos para identificar sinais de sonolência, distração e comportamentos de risco. Os alertas são enviados em tempo real para centrais operacionais, contribuindo para redução de incidentes e fortalecimento da cultura de segurança.
“A tecnologia amplia a capacidade humana e melhora a tomada de decisão. O objetivo não é substituir pessoas, mas criar operações mais seguras, eficientes e preparadas para lidar com riscos em tempo real”, disse Macedo.
As atividades promovidas pela Britcham estão disponíveis no calendário da instituição.
Sobre a Britcham
Há mais de 100 anos no Brasil, a Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham) é o fórum da comunidade empresarial e governamental Brasil-Reino Unido que atua para incrementar o comércio, os investimentos, os serviços e os relacionamentos bilaterais. Presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, a instituição promove debates sobre o ambiente de negócios e atua no desenvolvimento de oportunidades de negócios para as comunidades empresariais britânica e brasileira.
Com 13 comitês temáticos que abrangem os principais setores da economia, como comércio exterior, agronegócios, finanças, tecnologia e sustentabilidade, a Britcham facilita discussões setoriais, advocacy e a troca de conhecimento entre associados e autoridades. Além disso, oferece uma agenda diversificada de eventos exclusivos, desde oportunidades de networking entre CEOs até debates sobre tendências globais, fortalecendo conexões qualificadas entre os dois mercados.
Destaque ainda para o Clube de Negócios Britânicos no Brasil (GBBC) e a Business Support Initiative (BSI), atividades essenciais para impulsionar parcerias e investimentos bilaterais. Com uma rede que inclui desde multinacionais até PMEs, a Britcham proporciona agregação de valor institucional e comercial por meio de grupos setoriais, posicionamentos técnicos e acesso a informações privilegiadas, consolidando-se como referência em cooperação empresarial e inovação entre Brasil e Reino Unido.